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Volta de 360º

Tenho dois filhos rapazes, com idades bastantes distintas. Estava habituada ao mais novo, a receber variados elogios dos professores pela dedicação à escola, às matérias mais difíceis em que ele se destacava dos restantes alunos da turma. Sempre foi um rapaz focado, com uma capacidade de concentração que lhe permitia absorver e entender tudo quanto ouvia na sala de aula. Sempre obteve excelentes resultados no final do ano e ficou até no quadro de honra. Porque a escola permeia aqueles que se destacam no saber. 
O mais novo já é diferente. Com mais energia, menor capacidade de concentração dentro da sala de aula. O intervalo é todo ocupado a jogar à bola. Na disciplina de desporto é dos que corre mais. Já colecciona umas quantas medalhas, conquistadas nos corta-matos e no futebol. Para ele, participar numa competição significa trazer obrigatoriamente uma medalha. E mesmo que não a traga, sei que competiu com a garra toda. É o desporto que o move. Ainda esta semana me dizia:
- Oh Mãe, já percebi! Os meninos que tiram as melhores notas não sabem jogar à bola. E os que são bons no futebol não têm as melhores notas.
Ele com 9 anos já percebeu isso, mas a escola que já têm muitos mais anos de existência ainda não...todos os meninos são tratados da mesma forma e avaliados nos mesmos moldes. 
Ambos os meus filhos têm pontos em comum porque são educados em casa nesse sentido. Respeito pelos menos novos, proteger os que são diferentes, a importância de cuidarmos dos animais, evitar conflitos entre colegas e amigos...etc.
É claro que não podemos ter uma escola para cada aluno. Mas devíamos ter uma escola que  percebendo a aptidão de cada aluno explorasse essas aptidões ao invés de os "obrigar" a seguir determinado rumo que vai contra as suas capacidades natas. Enfiá-los à força numa embalagem que não é a deles.
Lembro-me das minhas aulas de teatro do 9º ano. Haviam aqueles para quem o palco era tudo. Eu atirava-me a ele sem qualquer problema, receio ou vergonha. Mas tinha colegas que não gostavam dessa exposição e como tal, o Professor de teatro na sua sapiência, dava-lhes outras tarefas, perfeitamente integradas e imprescindíveis no teatro mas mais resguardadas, menos expositivas. Esses meus colegas tratavam do vestuário e das máscaras que depois eram utilizadas nas peças que apresentávamos por essas escolas de Lisboa.
Ou seja, é sempre possível em contexto escola dar oportunidade, tarefas, desenvolver actividades "agradando e respeitando" as capacidades e formas de ser de cada um e com isso ganhar alunos mais motivados, com uma auto estima maior que tanta falta lhes faz. 
Claro que este modelo de ensino que agora temos também é muito o resultado da imposição, pressão dos Pais, que querem à força que os seus filhos não só sejam os melhores a todas as áreas, como sejam os melhores da turma.  
A escola precisa de uma volta de 360º, urgentemente!

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Para o rolo
700 gr. de carne picada
Pão (pode ser do dia anterior)
Leite
Temperos a gosto (sal, louro, pimenta, alhos)
Legumes a gosto cozidos (eu tinha couve portuguesa e couve galega)
Salsa e/ou coentros

Para as batatas assadas
Batatas congeladas do pingo doce (redondas para assar)
Cenouras cortadinhas em cubos pequenos
Coentros e/ou salsa
Sal
Azeite
Pimentão doce
Alhos

O rolo:
Comecei por juntar o pão ao leite e fazer uma papa. Adicionei os temperos e depois juntei e misturei tudo à carne picada que ainda estava dentro do saco. Deixei estar uns minutos para a carne ganhar o gosto. O pão deixa a carne picada menos seca e ė uma forma de cortarmos na carne e ainda aproveitar as sobras de pão.
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Mas não.
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