04 abril, 2014

Primavera

Mas que Primavera é esta que deixa cair sobre as nossas cabeças chuva ao invés de raios de sol? Que Primavera é esta que nos sopra ventos frios do Atlântico ao invés de bafos quentes vindos das terras de África?
Que Primavera é esta que acorda chuvosa, fria e que na cama nos apetece deixar ficar?
Que Primavera és tu, que abres à tarde um rasgo no céu, destapas o sol, despertas o dia e que a noite tardas a chegar?
Mas, ainda assim, na tua omnipresença, vais deixando aqui e ali, pequenas pistas, marcas, pegadas...
Os campos manchados do verde, os botões que dão cores tantas aos vasos, as árvores de fruto cansadas das geadas da noite, com os seus troncos que pareciam secos, já brotam tímidas folhas e pequenas flores, miúdas. E, as sementes deitadas ao chão, emanam seguras, à procura de algum sol. As abelhas também já deram por ti, nas flores onde posam em busca do precioso néctar que tanta falta lhes faz, polinizando aqui e alí, proporcionando aqui e ali a continuação das espécies.
Tu já cá andas, os dias mais compridos, ajudados pela mudança da hora, a escuridão que vem mais tarde.
Os próximos dias, dizem aqueles que apregoam o tempo, os entendidos, que vens com mais expressão, mais poderosa. Fico a aguardar a tua demonstração de força, esperando que me  contagie, que contagie a todos.

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